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sábado, 14 de dezembro de 2013

Cristãos estão sendo crucificados na Síria

Amir, 55 anos, é um comerciante que vive na Síria. ”A vida aqui é muitas vezes bem difícil”, lamenta. Durante uma entrevista ao Washington Post, ele conta como morteiros atingiram repetidamente no bairro al-Qassaa, na capital Damasco. A grande maioria de seus moradores é cristã. Pelo menos 32 pessoas morreram e dezenas de outras ficaram feridas somente nas últimas duas semanas.

A situação de Amir e de milhares de cristãos como ele, tem se tornado cada vez mais perigosa. Enquanto a guerra civil continua arrasando o país, multiplicam-se os relatos de ataques de muçulmanos jihadistas a cidades predominantemente cristãs. O país está vendo a tentativa de extermínio do cristianismo ser o alvo principal dos guerrilheiros rebeldes.

Youssef Naame e sua esposa Norma, um casal cristão de Maaloula, contam como tiveram de fugir de sua cidade após a chegada de extremistas islâmicos no início do mês passado. “Os jihadistas gritavam: converta-se ao Islã ou vocês serão crucificados como Jesus”. O casal se escondeu, junto com outros cristãos, em uma pequena casa ao lado da igreja da cidade. Ficaram três dias sem comida nem eletricidade.

Agora, Youssef está refugiado no apartamento de sua filha, em al-Qassaa, mas teme que em breve precisará fugir de novo. Os cristãos são uma minoria, menos de 10% dos 23 milhões de habitantes da Síria.

O missionário Tom Doyle faz um apelo: “Nós ouvimos de líderes da região que os jihadistas estavam crucificando os cristãos no norte da Síria. Sabemos que as pessoas que têm fotos disso. Os pastores estão clamando por ajuda, frustrados por que nada disso é divulgado pela mídia ocidental”.

As áreas cristãs passaram a ser recentemente o maior foco da luta armada. Há uma semana, os rebeldes do grupo Jabhat al-Nusra atacaram a cidade cristã de Sadad, ao norte de Damasco. Após violentos combates, foram expulsos dias depois por forças do governo. De maneira similar, milhares de pessoas fugiram da antiga cidade de Maaloula, também de maioria cristã.

Ali, um número grande de não muçulmanos foram decapitados e tiveram suas casas e igrejas incendiadas ou destruídas.

Os cristãos de Damasco estão convencidos de que os extremistas estão deliberadamente alvejando seus bairros para enfraquecer os aliados do presidente sem atingir outros muçulmanos. Como é comum em vários países do Oriente Médio, muçulmanos e cristãos vivem em áreas diferentes, por isso para os rebeldes é fácil identificar os alvos preferencias.

“Todos os domingos, eles lançam mais de 15 morteiros ao longo do dia”, disse Amir. “Eles estão bombardeando as áreas especificamente cristãs.” Os líderes da Igreja da Síria temem que a queda de Assad transformará o país em um Estado islâmico, o que significaria o fim da existência milenar de cristãos em solo sírio.

Quase todos os 50 mil cristãos da cidade de Homs tiveram de fugir. Outros 200.000 foram expulsos da cidade de Aleppo. Em todas as cidades que invadem, os rebeldes exigem que os cristãos se convertam, caso contrário morrerão. 
Mais de um terço dos cristãos da Síria estão refugiados ou mortos. Com informações de Washington Post e MN Online.
"Oremos para que o Senhor venha levantar homens e mulheres que façam a diferença neste tão caótico aspecto governamental deste tão necessitado país!"

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Todos os olhares estão sobre o Sri Lanka


O histórico de direitos humanos do Sri Lanka foi questionado durante a cúpula de Commonwealth (Comunidade Britânica), em Colombo. Diversos líderes boicotaram o evento e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, garantiu que faria "duras perguntas" ao presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapaksa  
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Uma das linhas de questionamento pode ser focada no relacionamento do Sri Lanka com as minorias religiosas. Em um país dominado por budistas, a minoria cristã (cerca de 7%) e muçulmana (10%) tem reclamado de discriminação e agressões.
Entre janeiro e setembro deste ano, foram registrados 64 atos de violência contra cristãos, muitos ligados ao grupo extremista budista Bodu Bala Sena, incluindo incêndios criminosos, demolição de igrejas, ataques de multidão e agressões, informou a organização Christian Solidarity Worldwide (CSW).
O ataque à Aliança Evangélica Cristã Nacional do Sri Lanka (NCEASL, sigla em inglês), agora é o ato de número 65. "Pastores têm sido ameaçados, sujeitos à coação e fechamento forçado de igrejas e outras formas de discriminação. E até mesmo alguns cristãos têm sido forçados a renunciar sua fé", contou Yamini Ravindran, da NCEASL, à rede BBC.
Enquanto isso, o governo anunciou planos para introduzir regulamentações contra publicações que "difamem os ensinamentos originais e as tradições das grandes religiões". Embora seja uma medida positiva exteriormente, a legislação tem sido assemelhada às controversas "leis anti-conversão" da vizinha Índia.
O Centro para Alternativas Políticas, um laboratório de ideias sediado em Colombo, disse que as propostas colocariam um "selo de aprovação oficial no deslize do Sri Lanka em direção ao extremismo religioso majoritário e à violência sectária".
Sobre as "leis anti-conversão" da Índia, a Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional, um órgão consultivo do congresso norte-americano, disse que "embora com a intenção de reduzir conversões forçadas e diminuir a violência popular, os estados com essas leis têm mais incidentes de intimidação, assédio e violência contra as minorias religiosas, especialmente os cristãos, do que os estados que não as têm".
A CSW informou que autoridades do Sri Lanka começaram a pedir às igrejas estabelecidas para provar sua legalidade a fim de terem permissão de continuar funcionando. Durante uma visita ao Sri Lanka, em setembro, a Alto Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que estava "especialmente alarmada com a recente onda de incitamento ao ódio e à violência contra as minorias religiosas, incluindo os ataques a igrejas e mesquitas, e com a falta de ação rápida contra os agressores".
Ela disse que o governo "parecia minimizar essa questão ou até colocar a culpa nas comunidades minoritárias". Navi disse que ouviu relatos "perturbadores" de proteção do Estado a grupos extremistas e instou com o governo para enviar "o sinal mais forte possível de tolerância zero" a tais atos, punindo os agressores.
Entretanto, antes da cúpula de Commonwealth, o ministro de comunicação social disse que o país não seria intimidado. "Somos uma nação soberana. Você acha que alguém pode fazer alguma exigência ao Sri Lanka?", disse Keheliya Rambukwella.
Os Chefes de Estado da Índia, Canadá e Ilhas Maurício declinaram da oportunidade de comparecer à cúpula de 50 países, ocorrida entre 15 e 17 de novembro, que foi aberta pelo Príncipe Charles. O Canadá designou recentemente Adrew Benett como seu primeiro embaixador para liberdade religiosa. O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, disse: "Está claro que o governo do Sri Lanka falhou em sustentar os valores fundamentais de Commonwealth".
Em uma entrevista recente à rede BBC, um pastor do Sri Lanka falou de um ataque à sua igreja. O pastor, que preferiu ficar anônimo, disse que dois monges budistas tinham atacado a igreja, gritando: "Esta é uma nação budista, um vilarejo budista". Ele disse que os monges ameaçaram matar os cristãos e acrescentaram que iriam incendiar a casa do pastor quando voltassem.
Foto: James Gordon / Flickr / Creative Common